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A VIGILANTE DO AMANHÃ: GHOST IN THE SHELL

(Ghost In The Shell, 2017)

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30/03/2017 00h01
por Daniel Reininger

A Vigilante Do Amanhã: Ghost In The Shell fica melhor quando não é comparado com o fantástico anime que dá nome ao longa. Com elementos raramente vistos no cinema comercial Hollywoodiano, o novo filme oferece um mergulho interessante no universo Cyberpunk, subgênero do sci-fi com foco em implantes robóticos e corporações inescrupulosas, como poucos filmes fizeram antes.

Visualmente incrível, o longa estrelado por Scarlett Johansson é interessante o suficiente para prender o espectador do começo ao fim e merece ser visto em Imax, mas pode gerar confusão entre os que não conhecem Ghost In The Shell e, certamente, deve frustrar os fãs da franquia.

Achar o balanço entre o cinema comercial e a profundidade do original é a grande armadilha dessa adaptação. Era preciso encontrar o tom certo, manter conceitos que fizeram do anime uma das obras primas do cinema, mas ainda fazer dessa produção algo viável comercialmente e original. É um ajuste fino complicado e não chega a ser uma surpresa o diretor Rupert Sanders, do fraco Branca De Neve E O Caçador, não conseguir atingir esses objetivos.

Tecnicamente o filme merece elogios. É muito bem produzido, com efeitos de qualidade e convincentes, visual impactante tanto de cenários quanto de personagens. Fotografia inspirada, com belos planos abertos para ajudar na ambientação e closes ou cenas sufocantes em espaços fechados para reforçar o clima de opressão e estranheza. Para completar, a trilha sonora techno é ótima e combina bem com a atmosfera cyberpunk. A única ressalva aqui é a cena de luta final, na qual o CGI falha e a trilha sonora se torna exagerada e Sanders perde a chance de criar algo icônico capaz de marcar o cinema, como muitos esperavam.

Na trama ambientada num futuro decadente e repleto de humanos ampliados por implantes robóticos, Major (Scarlet Johansson) é uma agente do grupo antiterrorista Seção 9, cujo cérebro humano é mantido num corpo totalmente robótico, a primeira de seu tipo e um protótipo do futuro da humanidade. Diante de uma nova ameaça, um hacker capaz de manipular robôs e implantes como nenhum outro, a protagonista entra numa investigação que revelará muito mais do que ela esperava descobrir.

Enquanto o anime procura não ser maniqueísta e apresenta personagens, corporações e governos como entidades complexas, em um mundo onde a tecnologia e a humanidade estão em rota de colisão, o live-action peca ao deixar claro quem são os vilões e heróis da história e transformar algo complexo e profundo em um filme de ação raso.

Apesar disso, a primeira metade de A Vigilante Do Amanhã é incrível, com bom clima noir, investigação sólida e cenas de ação de qualidade. Destaque para o momento em que a Major invade a mente de um robô para tentar encontrar seu alvo. Quando o filme apresenta o tal terrorista, que não chega nem perto da complexidade do Mestre dos Fantoches do anime, o filme começa a desandar, foca em questões sentimentais e desconstrói o bom caminho que seguiu até ali.

Para quem não conhece o anime/mangá, esses elementos obviamente não vão incomodar por não haver base de comparação, mas essas não são as únicas falhas do longa. Analisando apenas o novo filme, o terço final perde ritmo, cai em clichês e a falta de profundidade nos conceitos apresentados fica evidente, culpa, em parte, dos vilões rasos e do clímax incompatível com o resto do clima da obra, capaz até de confundir os espectadores menos atentos por não justificar de forma convincente as atitudes e escolhas dos personagens.

Sobre a questão do whitewashing, a mania de Hollywood transformar personagens de outras etnias em caucasianos, a personagem de Scarlett Johansson, muito criticada por não ser oriental, é o menor dos problemas da obra. Sua versão ocidental é bem justificada e sua atuação e presença compensam a polêmica. Infelizmente, outros personagens, como cientistas e executivos da Hanka Robotics e especialmente Michael Pitt como Kuze, incomodam e poderiam aliviar a situação se fossem vividos por atores orientais. Além disso, algumas atuações deixam a desejar, apesar da presença de Takeshi Kitano como chefe da Seção 9 ser divertida.

A Vigilante Do Amanhã é um bom filme, mas peca por não arriscar mais, independente de ser ou não adaptação de Ghost In The Shell. Apesar de bons momentos, o sentimentalismo barato e desnecessário acaba atrapalhando a parte final e mata com a essência do que faz a franquia tão marcante mesmo após tantos anos.

Apesar das falhas e dos desapontamentos, o simples fato dessa adaptação existir já é uma prova de coragem da Paramount, que arriscou e conseguiu entregar um bom filme, que funciona melhor quando não comparado com a obra original. Agora é torcer para que outras iniciativas como essa aconteçam e a aceitação do público permita que os cineastas vão além.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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